domingo, 12 de outubro de 2014

Educação Comparada - BRASIL X INGLATERRA: Letramento numa perspectiva crítica


Em um estudo investigativo observar-se que a Inglaterra é hoje um dos países que mais se preocupam com a educação de seus cidadãos. E essa preocupação com o ensino começa desde cedo nas escolas primárias, visando que a educação deve ser trabalhada desde a “base” do indivíduo, neste caso as escolas infantis, que possuem carga horária integral, onde o aluno passa grande parte do seu tempo no ambiente escolar.

“Nas escolas primárias, todos devem receber educação que satisfaça “à idade, capacidade e aptidões dos alunos”. Nas classes destinadas a crianças de 5 a 7 anos, o trabalho é similar ao dos jardins de infância (infant schools).” (LOURENÇO FILHO, 2004,  p.74)

A Inglaterra possui um sistema em que o aluno é amparado de bons recursos para a aquisição de conhecimentos e bons métodos de ensino, “é dos países que proporcionalmente mais gastam com serviços de educação – mais de 3% da renda nacional. Nos últimos anos, o montante das despesas tem sido superior a 700 milhões de libras”. (LOURENÇO FILHO, 2004, p.75). Talvez por isso ocupa um lugar significativo no ranking mundial.

Nas que se seguem, ensinam-se Inglês, Aritmética, Geografia, Música, Desenho, Trabalhos Manuais e Religião, não havendo, porém, programas uniformes. Uma parte do tempo é sempre reservada a jogos e exercícios de Educação Física. Elevada porcentagem de escolas usa de métodos ativos, na forma de projetos e centros de interesse; mas grande número ainda conserva procedimentos tradicionais ou pratica um sistema de transição. (LOURENÇO FILHO, 2004, p.74)

Vejamos que o Brasil buscando uma melhora na educação procura cada vez mais métodos e alternativa para bons resultados não dependendo apenas dos recursos financeiros que neste caso são poucos, em relação à proporção de alunos, ou seja, é um país muito grande com pouca infraestrutura.


fonte: http://revistaescola.abril.com.br/img/politicas-publicas/infraestrutura-escola-instalacoes.gif



fonte: http://www.conjur.com.br/2011-jun-28/educacao-infantil-direito-fundamental-nao-garantido-municipios?pagina=3
Pensando na educação como um todo, temos o letramento como um enfoque fundamental. Sendo este um conhecimento de mundo que o indivíduo adquire interagindo uma experiência discursiva social com um entendimento do contexto em que se vive. Neste ponto da discussão é importante saber diferenciar letramento de alfabetização. “A alfabetização considerada como o ensino das habilidades de “codificação” e “decodificação” foi transposta para a sala de aula. ”(SANTOS, 2007, p.12)


Definir o termo “alfabetização” parece ser algo desnecessário visto que se trata de um conceito conhecido e familiar. Qualquer pessoa responderia que alfabetizar corresponde à ação de ensinar a ler e a escrever. No entanto, o que significa ler e escrever? Ao longo da nossa história, essas ações foram tornando-se mais complexas, e suas definições se ampliaram, passando a envolver, a partir da década de 1990 principalmente, um novo termo: o letramento. (SANTOS, 2007, p.12)

Um fator que é importante lembrar é que o fato da pessoa ser alfabetizada não significa que ela é letrada. Tratando assim a alfabetização e o letramento como dois processos distintos que necessitam ser interligados para um posterior sucesso escolar.

Nos últimos vinte anos, principalmente a partir da década de 1990, o conceito de alfabetização passou a ser vinculado a outro fenômeno: o letramento. Segundo Soares (1998), o termo letramento é a versão para o Português da palavra de língua inglesa literacy, que significa o estado ou condição que assume aquele que aprende a ler e a escrever. Esse mesmo termo é definido no Dicionário Houaiss (2001) “como um conjunto de práticas que denotam a capacidade de uso de diferentes tipos de material escrito”. (SANTOS, 2007, p.17)



fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjnYCOgM4dh490wUF2Sa4Kdk0iFvZKeJUcjnmeE8jNfH-cyHyn_bVR6x7UJo8ZCqtVPDyQ4x7XVjw1JIGRNtqJf8VMvytX_UYmwCQm1n3AEUkNgOnYORaFxF335xkx7p-uHKVRU5UTwPfk/s320/crian-ccedila-com-dificuldade-de-aprendizagem-thumb2591459.jpg
Sobre o letramento na Inglaterra, observa-se que alguns estudiosos sobre o assunto não concordam é a perspectiva que o sistema tem sobre o aprendizado, onde acreditam que o conhecimento deve ser baseado apenas nas habilidades, ignorando assim os fatores culturais e sociais.

A perspectiva padrão em muitos campos, da escolarização a programas de desenvolvimento, trabalha com a suposição de que o letramento por si só – autonomamente – terá efeitos sobre outras práticas sociais e cognitivas. Introduzir o letramento para as crianças na escola, para pessoas “iletradas” em vilarejos e para jovens pobres em áreas urbanas, entre outros, teria o efeito de intensificar suas habilidades cognitivas, melhorar suas perspectivas econômicas, torná-los cidadãos melhores, independentemente das condições sociais e econômicas que respondem pelo seu “iletrismo”, em primeiro lugar. (STREET, 2013, p.3)

Pensando em uma comparação com o Brasil a Inglaterra sai na frente por sua preocupação maior com o investimento em educação, porém a grande maioria das escolas brasileiras e seus profissionais se preocupam tanto com o letramento dentro das habilidades, ou seja, um letramento escolar, tanto com o letramento a partir do conhecimento e vivência de mundo do aluno, o letramento cultural-social.

Esta é uma grande discussão que deve ser trazida pra sala de aula, saber o que realmente o aluno precisa aprender e ensinar com clareza e de forma que aproveite todo o conhecimento que o aluno traz por experiências vividas.

A Inglaterra tem uma preocupação com o futuro profissional de seus alunos, por isso já considerada tão cedo as habilidades e preferências de cada um observadas e orientadas pelos professores.

No último ano do curso, realizam-se exames para que melhor se possa orientar os alunos em sua distribuição pelos diferentes tipos de escolas de nível médio. São utilizados testes de aptidões gerais, como os de inteligência, e, em muitas escolas, provas de aptidão especiais. Todas realizam exames: de Inglês e Aritmética, e grande número, de conhecimentos gerais. Para a orientação na matrícula em um ou outro dos tipos das escolas médias, têm-se também em conta as informações dos professores, as preferências que os alunos hajam manifestado e os desejos dos pais. (LOURENÇO FILHO, 2004, p.77)

Numa perspectiva crítica relatamos que apesar de todas as dificuldades enfrentadas pela educação brasileira, o letramento no Brasil é um foco a ser, por muitas vezes, pensado, os profissionais envolvidos com a educação devem se preocupar com aulas com no contexto que o aluno e a escola, que ele frequenta, estão inseridos. Por isso não devemos pensar em letramento sem o apoio de bons profissionais. Assim se torna necessário o tal apóia financeiro que a Inglaterra possui e que eleva seu nível de educação.

Contudo independentemente da comparação, o Brasil peca em alguns pontos, pois nossos representantes diferentemente da Inglaterra não dão o real valor a educação, pois para uma nação bem preparada devemos pensar em um foco todo voltado para a educação, pois não existe futuro promissor sem educação. Pensar em um país sem a preocupação com a educação é pensar em um país falido em todos os sentidos. Escola não é brincadeira é um lugar sério, o lugar mais importante de um país preocupado com o futuro.

REFERÊNCIAS:
1-  Lourenço Filho, Manoel Bergström. Educação comparada - 3. ed. – Brasília: MEC/Inep, 2004. 250p. (Coleção Lourenço Filho, ISSN 1519-3225;7). Educação comparada – Brasil. I. Título.
2-  STREET. Brian V. Políticas e práticas de letramento na Inglaterra: Uma perspectiva de letramentos sociais como base para uma comparação com o Brasil. Cad. Cedes, Campinas, v. 33, n. 89, p. 51-71, jan.-abr. 2013 Disponível em: http://www.cedes.unicamp.br
3-  SANTOS, Carmi Ferraz. Alfabetização e letramento: conceitos e relações / organizado 1ed., 1reimp. –Belo Horizonte: Autêntica, 2007 152 p.
4- BRASIL. Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996.


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